{"id":2034,"date":"2022-03-10T05:13:18","date_gmt":"2022-03-10T10:13:18","guid":{"rendered":"https:\/\/cerosetenta.uniandes.edu.co\/las-derechas\/?p=2034"},"modified":"2022-03-30T16:46:18","modified_gmt":"2022-03-30T21:46:18","slug":"argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jaqueala.com\/lasderechas\/pt\/argentina\/","title":{"rendered":"Argentina"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-group is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<p>O que caracteriza a direita argentina? Por d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, foram os discursos marciais, os cabelos engomados, os coturnos e os planos de ortodoxia econ\u00f4mica. Embora seja certo que a direita na Argentina tenha estado associada aos militares no s\u00e9culo XX, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que no s\u00e9culo XXI conseguiu chegar ao poder pelas urnas e n\u00e3o pelos golpes de Estado. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o que a caracteriza s\u00e3o <strong>os ternos abertos e sem gravata, uma pegada juvenil nas redes sociais e uma comunica\u00e7\u00e3o informal que aponta para as suas emo\u00e7\u00f5es. Muitas vezes, para o \u00f3dio.<\/strong> \u201cPela primeira vez, \u00e9 uma direita que aprende no cen\u00e1rio da democracia leg\u00edtima. Com eles, entraram para a pol\u00edtica grupos sociais vinculados \u00e0s classes m\u00e9dias altas ou \u00e0s classes altas da Argentina\u201d, indica a soci\u00f3loga Paula Canelo sobre outra de suas caracter\u00edsticas: <strong>o recrutamento de gerentes e CEOs do setor privado<\/strong> para desembarcarem no Estado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Um pouco de hist\u00f3ria<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A direita argentina tem uma hist\u00f3ria extensa, desde a forma\u00e7\u00e3o da Argentina como Estado nacional at\u00e9 o presente. Para tomar apenas um per\u00edodo, o que se abre com a volta \u00e0 democracia em 1983, \u00e9 poss\u00edvel encontrar diversas experi\u00eancias, algumas vinculadas ao liberalismo econ\u00f4mico, como a Uni\u00e3o de Centro Democr\u00e1tico (UCeD\u00e9), criada pelo economista \u00c1lvaro Alsogaray e depois fagocitada pelo governo peronista de direita de Carlos Menem. Houve outras ligadas aos militares e ao nacionalismo, como o MODIN, do militar aposentado Aldo Rico.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a face mais atual da direita surge em 2005 com a forma\u00e7\u00e3o do PRO: a coaliz\u00e3o Proposta Republicana reuniu Compromiso por el Cambio (Compromisso pela Mudan\u00e7a), de Mauricio Macri, e Recrear (Recriar\/Recrear), de Ricardo L\u00f3pez Murphy. Este \u00faltimo era um espa\u00e7o pol\u00edtico mais similar \u00e0 UCeD\u00e9 e \u00e0 direita liberal tradicional, e logo foi absorvido pelo PRO, em uma manobra na qual o s\u00f3cio de Macri terminou fora da coaliz\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em v\u00e1rios livros sobre esse espa\u00e7o (<em>Mundo PRO, La larga marcha de Cambiemos<\/em>), o soci\u00f3logo Gabriel Vommaro indica que o PRO instalou <strong>uma imagem de dirigentes modernos, p\u00f3s-ideol\u00f3gicos e tecnocr\u00e1ticos,<\/strong> ao mesmo tempo em que agregava figuras do radicalismo, do peronismo, das ONGs e do mundo empresarial. Desde sua forma\u00e7\u00e3o come\u00e7aram a ganhar todas as elei\u00e7\u00f5es da Cidade de Buenos Aires, da qual Macri foi chefe de Governo entre 2007 e 2015. E depois, como parte de uma frente eleitoral com a Coaliz\u00e3o C\u00edvica de Elisa Carri\u00f3 e da UCR, primeiro chamada Cambiemos e depois Juntos por el Cambio (Juntos pela Mudan\u00e7a), governaram a Argentina entre 2015 e 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Tratou-se da primeira experi\u00eancia na Argentina de um partido que n\u00e3o \u00e9 nem o peronismo, nem o radicalismo, e que chega \u00e0 presid\u00eancia do pa\u00eds e leva adiante um repert\u00f3rio de medidas pol\u00edticas, sociais e econ\u00f4micas de direita. \u201cOs interesses da direita argentina, da <strong>ortodoxia econ\u00f4mica e do conservadorismo cultural (Igreja, campo, poder econ\u00f4mico),<\/strong> historicamente tiveram duas op\u00e7\u00f5es: ou realizar um golpe de Estado (Videla) ou fazer \u201centrismo\u201d em partidos populares (Menem ou Fernando de la R\u00faa). O que aconteceu com Macri \u00e9 que a direita criou um partido pr\u00f3-mercado em que, pela primeira vez, jogam com um partido pr\u00f3prio o jogo da democracia, sem romper o regime democr\u00e1tico\u201d, adverte o cientista pol\u00edtico Jos\u00e9 Natanson. \u201cA primeira coisa que caracteriza a direita argentina atual \u00e9 que ela rompeu com uma debilidade hist\u00f3rica das direitas deste pa\u00eds: ser competitiva em termos eleitorais. Conseguiram oferecer um programa e um discurso atrativo para outros setores n\u00e3o de direita. Evitaram os t\u00f3picos tradicionais da direita, com um discurso muito baseado em resolver os problemas concretos e com um tom afetivo, muito de autoajuda e afastado de um lugar mais doutrin\u00e1rio e ideol\u00f3gico\u201d, aponta o soci\u00f3logo Vommaro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 um conglomerado que re\u00fane diferentes posi\u00e7\u00f5es, como era o Partido Popular da Espanha na sua \u00e9poca. H\u00e1 setores que s\u00e3o liberais tanto na economia quanto em pr\u00e1ticas culturais (aborto, cannabis). <strong>H\u00e1 outros setores conservadores em termos de valores ou que s\u00e3o a favor da defesa de valores tradicionais. H\u00e1 uma conviv\u00eancia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>E, nos \u00faltimos tempos, vimos que pertence tamb\u00e9m a esta direita um setor minorit\u00e1rio, extremo, que se autodefine como libert\u00e1rio. A principal quest\u00e3o a\u00ed \u00e9 a aus\u00eancia do Estado.<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Isso ficou claro agora com a quarentena, mas poderia ser com qualquer outro tema. Buscam um Estado m\u00ednimo. E prop\u00f5em a garantia da atua\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a, como se fosse algo separado de todo o resto. Buscam uma Justi\u00e7a que os livre de qualquer regula\u00e7\u00e3o\u201d, aponta o pesquisador da FLACSO Sergio Balardini, que adverte que est\u00e3o surgindo outras concorr\u00eancias ao PRO \u201cpela direita\u201d, como os ultraliberais Jos\u00e9 Luis Espert e Javier Milei ou o castrense Juan Jos\u00e9 G\u00f3mez Centuri\u00f3n.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSi bien se impone la idea de que es una derecha nueva, en realidad, retoma distintas tradiciones de las derechas argentinas. <strong>Compartilha o antipopulismo com outras direitas. Isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o incorpore elementos populistas no aspecto punitivo\u201d,<\/strong> aponta Canelo, autora de <em>\u00bfCambiamos? La batalla cultural por el sentido com\u00fan de los Argentinos<\/em>. \u201cNo caso do PRO, depois Cambiemos e agora Juntos pela Mudan\u00e7a, pode ser alinhado ao que seria a direita neoliberal, seguindo uma defini\u00e7\u00e3o de Ranci\u00e9re, de que <strong>o neoliberalismo se sustenta na cren\u00e7a de que \u00e9 poss\u00edvel viver em uma sociedade baseada na desigualdade.<\/strong> Por outro lado, \u00e9 um liberalismo que nega a pol\u00edtica como ferramenta de transforma\u00e7\u00e3o da realidade. A ideia dos pol\u00edticos profissionais como corruptos, ou populistas, ou pertencentes ao passado. <strong>A pol\u00edtica \u00e9 entendida mais em termos morais\u201d,<\/strong> diz Canelo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Pablo Avelluto, ex-ministro da Cultura de Macri, ocorreu uma metamorfose: \u201cHouve uma evolu\u00e7\u00e3o de um terceiro partido de centro-direita, que assumir\u00e1 o legado da UCeD\u00e9, ser um partido contempor\u00e2neo, no qual \u00e9 mais dif\u00edcil ver um vi\u00e9s ideol\u00f3gico\u201d. O senador Esteban Bullrich \u2013 um dos dirigentes do Recrear, que ajudou a fundir esse partido com o de Macri \u2013 recorda tamb\u00e9m essas origens: \u201cO PRO \u00e9 a conjun\u00e7\u00e3o de dirigentes pol\u00edticos de diferentes partidos que estiveram na centro-direita e no centro e no peronismo de centro-direita que se combinaram com pessoas que nunca haviam feito pol\u00edtica. Embora direita e esquerda sejam categorias bastante obsoletas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Uma direita que n\u00e3o \u00e9 direita<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Quando fez sua primeira pesquisa sobre o PRO, Vommaro perguntou aos dirigentes em que lugar do espectro pol\u00edtico eles se situariam: os que vinham da UCR se denominaram de esquerda, os de partidos tradicionais como de direita, mas a grande maioria disse que era \u201cde centro\u201d. <strong>Os dirigentes do PRO resistem em ser qualificados como \u201cde direita\u201d ou mesmo de \u201ccentro-direita\u201d, termos que remetem ao passado ditatorial da Argentina.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTodas as categorias em termos de direitas e esquerdas s\u00e3o simplifica\u00e7\u00f5es quando aplicadas \u00e0 realidade latino-americana. No s\u00e9culo XXI, s\u00e3o olhares simplificados para um p\u00fablico extracontinental\u201d, considerou Hern\u00e1n Lombardi, ex-titular do Sistema de Meios P\u00fablicos no governo de Macri. \u201cO PRO aspira a ser uma for\u00e7a pol\u00edtica de sua \u00e9poca: tenta compreender a agenda verde, a economia do conhecimento e a horizontalidade do poder. Tenta entender este mundo e n\u00e3o o de 30 anos atr\u00e1s\u201d, aponta Lombardi, que junto com Avelluto continuam fazendo parte do c\u00edrculo de confian\u00e7a do ex-presidente Macri. Adotamos a ideia de que as categorias de esquerda e direita eram obsoletas. Implementar o Metrobus e tornar a vida das pessoas mais f\u00e1cil \u00e9 o qu\u00ea? De direita ou de esquerda? Ou n\u00e3o apelar sobre uma decis\u00e3o sobre o casamento igualit\u00e1rio era de direita ou esquerda? \u00c9 um partido que se pensa como um partido do s\u00e9culo XXI, e com certa irrever\u00eancia diante do establishment pol\u00edtico cultural (como com os direitos humanos)\u201d, observa Avelluto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A discuss\u00e3o sobre os direitos humanos<\/strong> fez parte daquilo que gerou o governo de Macri, rompendo consensos anteriores ao discutir, por exemplo, o n\u00famero de desaparecidos durante a \u00faltima ditadura ou ao gerar protocolos mais frouxos para o uso de armas de fogo por parte das for\u00e7as de seguran\u00e7a. Adicionalmente, com um programa econ\u00f4mico que tendia \u00e0 ortodoxia, com ajuste do gasto p\u00fablico e medidas que impactaram sobre os sal\u00e1rios. Tudo isso acompanhado por um presidente que dan\u00e7ou na varanda da Casa Rosada quando assumiu, como j\u00e1 tinha feito nas celebra\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias. Esse \u00faltimo componente foi obra do consultor pol\u00edtico estrela de Macri, o equatoriano Jaime Dur\u00e1n Barba.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu os conheci em novembro de 2004. E eram os dirigentes da nova etapa: n\u00e3o s\u00e3o de esquerda, nem de direita. N\u00e3o est\u00e3o socializados na pol\u00edtica. N\u00e3o gostam nem da marcha peronista, nem da radical. \u00c9 gente muito apol\u00edtica \u2013 sustenta Dur\u00e1n Barba. Alguns deles muito preparados: Horacio Rodr\u00edguez, graduado em Harvard. Macri com um mundo de conhecimento do mundo (viaja para os Estados Unidos, fala ingl\u00eas) e \u00e9 uma pessoa desconcertante: tem rea\u00e7\u00f5es pouco usuais, o que \u00e9 bom na nova pol\u00edtica. Porque n\u00e3o reage como os l\u00edderes tradicionais\u201d. \u201cOs mais antigos no espa\u00e7o se preocupavam muito com se era de direita ou de esquerda. E acreditam que Bolsonaro \u00e9 de direita, Trump \u00e9 de direita e Macri \u00e9 de direita. Bolsonaro tem uma vis\u00e3o da vida extremamente reacion\u00e1ria e vertical. Trump tamb\u00e9m, ele se comporta como o dono da empresa. Essas coisas nunca aconteceram no PRO\u201d, diz Dur\u00e1n Barba.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o prefeito de Vicente L\u00f3pez, Jorge Macri (primo do ex-presidente), o que diferencia fundamentalmente o PRO das experi\u00eancias do tipo Bolsonaro ou Trump \u00e9 que elas s\u00e3o fortemente personalistas. \u201cMauricio Macri lan\u00e7ou as bases de um projeto pol\u00edtico nacional. Atr\u00e1s de Macri, continua uma evolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-partid\u00e1ria\u201d, enfatiza. E indica qual \u00e9, para ele, a principal diferen\u00e7a com os partidos de direita tradicionais desde a recupera\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica argentina: \u201cSomos <strong>um espa\u00e7o pol\u00edtico que quer disputar poder.<\/strong> N\u00e3o viemos para dar testemunho. Viemos para assumir o poder\u201d, indica. Em seus estudos sobre o PRO, Vommaro aponta que isso foi fundamental para que muitos setores do empresariado resolvessem come\u00e7ar a participar de um governo de um determinado vi\u00e9s pol\u00edtico, oposto ao perigo que percebiam no kirchnerismo e em sua potencial proximidade com o chavismo.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large imagen-izquierda\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"648\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/jaqueala.com\/lasderechas\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/COLLAGE-1-1-648x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-141\" srcset=\"https:\/\/jaqueala.com\/lasderechas\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/COLLAGE-1-1-648x1024.png 648w, https:\/\/jaqueala.com\/lasderechas\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/COLLAGE-1-1-190x300.png 190w, https:\/\/jaqueala.com\/lasderechas\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/COLLAGE-1-1.png 714w\" sizes=\"(max-width: 648px) 100vw, 648px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<p>&nbsp;\u201cH\u00e1 uma tens\u00e3o na direita argentina entre liberalismo e conservadorismo. \u00c9 pega-tudo: voc\u00ea tem partidos moderados, como a UCR, e tem setores mais radicalizados. H\u00e1 uma mistura de tradi\u00e7\u00f5es, ideologias e posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<strong> O cimento que os unifica \u00e9 o antiperonismo\u201d<\/strong>, adverte Natanson. Esse antiperonismo, analisa Vommaro, e particularmente o medo do populismo, foi o que empurrou setores que atuavam no management de empresas a se somar ao governo de Macri, que chegou a ser conhecido pejorativamente como \u201co governo dos CEOs\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Somar gerentes<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>\u201cSurgiram na Argentina setores que refletem as novas modas da ultradireita mundial, como aqueles que argumentam que a Terra \u00e9 plana ou que o v\u00edrus \u00e9 uma conspira\u00e7\u00e3o internacional. Vivemos no momento <strong>um processo de <em>desafei\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica das elites<\/em><\/strong> en todos los pa\u00edses de las Am\u00e9ricas\u201d, indica la polit\u00f3loga Maria Esperanza Casullo en un escrito reciente. No obstante, si bien es cierto que esa insatisfacci\u00f3n de las elites con la democracia se expresa en las marchas anticuarentena, tambi\u00e9n lo es que el PRO intent\u00f3 canalizar el rechazo a los gobiernos kirchnerista y busc\u00f3 nutrirse de empresarios para esa tarea. Para esto, recurri\u00f3 a distintos sistemas de socializaci\u00f3n del mundo del management y busc\u00f3 \u201ctender un puente\u201d entre ese mundo empresarial y el pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das chaves desse recrutamento foi a funda\u00e7\u00e3o G25, da qual participavam dois ministros de Macri: Guillermo Dietrich e Esteban Bullrich. \u201cEu tinha sido diretor comercial de uma empresa de exporta\u00e7\u00e3o de frutas. O que buscamos \u00e9 fazer uma ponte que possibilite essa contribui\u00e7\u00e3o. Encontramos gente que estava disposta a sacrificar rendimentos econ\u00f4micos para dedicar um tempo \u00e0 pol\u00edtica. Queriam contribuir na melhoria da gest\u00e3o. Eu mergulhei nisso e me tornei um dirigente pol\u00edtico\u201d, indica Bullrich, um dos casos de convers\u00e3o total de empres\u00e1rio para pol\u00edtico (h\u00e1 outros gerentes que, uma vez terminado o mandato, retornaram ao setor privado).<\/p>\n\n\n\n<p>Outro desses casos de <strong>passagem do mundo dos neg\u00f3cios para o da pol\u00edtica<\/strong> \u00e9 o do atual prefeito de Lan\u00fas, N\u00e9stor Grindetti, que foi gerente no grupo SOCMA, da fam\u00edlia Macri, durante anos. Depois foi ministro da Fazenda de Macri na Cidade de Buenos Aires (ainda um cargo t\u00e9cnico) e terminou se candidatando nas elei\u00e7\u00f5es em um distrito tradicionalmente peronista. Ganhou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO clic me ocorreu nesse transitar nas discuss\u00f5es pol\u00edticas para aprovar a Lei do Or\u00e7amento. Agora dou palestras sobre o que \u00e9 a passagem do privado para o p\u00fablico. Uma coisa \u00e9 que em pol\u00edtica sempre h\u00e1 que buscar consensos. E a outra \u00e9 a exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica. N\u00e3o s\u00f3 em termos do jornalismo ou das redes sociais: voc\u00ea est\u00e1 exposto \u00e0 opini\u00e3o de milh\u00f5es de pessoas que n\u00e3o necessariamente pensam como voc\u00ea\u201d, indica Grindetti. E adverte que, talvez por essa influ\u00eancia empresarial, o PRO \u201cn\u00e3o vem das linhas tradicionais da direita pol\u00edtica argentina: nem do conservadorismo nem da direita hist\u00f3rica. Vem para apresentar <strong>os valores da gest\u00e3o, o eficientismo e a meritocracia.<\/strong> O principal valor era buscar a efici\u00eancia na gest\u00e3o p\u00fablica. Dava-se a ela at\u00e9 uma porcentagem de import\u00e2ncia maior do que \u00e0 pol\u00edtica. Essa \u00e9 uma diferen\u00e7a importante com as direitas no mundo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Canelo analisa em seu livro como apresentaram uma promessa aspiracional tanto na campanha pr\u00e9via quanto na gest\u00e3o: a meritocracia que leva \u00e0 ascens\u00e3o individual. Nesse ponto, ele procurou instalar uma concorr\u00eancia individual pelo sucesso onde os modelos eram o CEO ou, melhor ainda, <strong>o empreendedor.<\/strong> Por sua vez, prop\u00f4s o que Canelo chama <strong>\u201cuma ortopedia moral\u201d: era preciso endireitar os argentinos que eram folgados, espertos (a \u201cviveza criolla\u201d) e que queriam que o Estado resolvesse tudo para eles, recorrendo para tanto a uma mensagem que infantilizava a sociedade.<\/strong> Um exemplo citado por Canelo \u00e9 o aumento das tarifas de energia el\u00e9trica com met\u00e1foras infantis: \u201cA luz de um dia em toda sua casa custa menos que duas chupetas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa narrativa constru\u00edda pelo Cambiemos conseguiu <strong>a identifica\u00e7\u00e3o de setores sociais nos extremos da pir\u00e2mide social.<\/strong> \u00c9 preciso dizer <strong>tamb\u00e9m que se somou aos valores cl\u00e1ssicos da direita (a ordem social, a moral, as hierarquias) uma s\u00e9rie de preocupa\u00e7\u00f5es modernas (o meio ambiente, a vida saud\u00e1vel, a vida espiritual), que passaram a fazer parte de seu discurso. Porque a comunica\u00e7\u00e3o foi fundamental para o sucesso desta direita argentina.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"722\" src=\"https:\/\/jaqueala.com\/lasderechas\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/BANNER-ARGENTINA2-1024x722.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-142\" srcset=\"https:\/\/jaqueala.com\/lasderechas\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/BANNER-ARGENTINA2-1024x722.jpg 1024w, https:\/\/jaqueala.com\/lasderechas\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/BANNER-ARGENTINA2-300x212.jpg 300w, https:\/\/jaqueala.com\/lasderechas\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/BANNER-ARGENTINA2-768x542.jpg 768w, https:\/\/jaqueala.com\/lasderechas\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/BANNER-ARGENTINA2-1536x1083.jpg 1536w, https:\/\/jaqueala.com\/lasderechas\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/BANNER-ARGENTINA2-1568x1106.jpg 1568w, https:\/\/jaqueala.com\/lasderechas\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/BANNER-ARGENTINA2.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Emo\u00e7\u00f5es e redes<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Se volt\u00e1ssemos no tempo a algum dos atos de campanha do PRO ou a suas celebra\u00e7\u00f5es eleitorais em seus bunkers, poder\u00edamos ver em toda sua dimens\u00e3o a diferen\u00e7a com um ato pol\u00edtico tradicional. Nos atos \u2013 conforme ditava o manual de Dur\u00e1n Barba \u2013 o candidato estava sempre no mesmo n\u00edvel que os seguidores, nunca em um palanque. Se poss\u00edvel, era constru\u00eddo um palco 360 onde o p\u00fablico rodeava o l\u00edder. O discurso era de n\u00e3o-conflito: Macri era um candidato que n\u00e3o tinha advers\u00e1rios. Propunham, assim, a ideia de retorno a um passado m\u00edtico longe do confronto de interesses apresentado pelos governos do kirchnerismo. Macri <strong>vinha para \u201crestaurar\u201d esse passado, assim como vinha para \u201cnormalizar\u201d a economia<\/strong> . Propunha-se voltar a uma ordem pr\u00e9-populista. E isso na Argentina quer dizer pr\u00e9-peronista. Canelo destaca em seus estudos que o kirchnerismo n\u00e3o percebeu como as preocupa\u00e7\u00f5es meritocr\u00e1ticas da classe m\u00e9dia cresciam e o PRO se valeu dessa falha. \u201cA novidade trazida por Dur\u00e1n Barba \u00e9 suavizar muito esse espa\u00e7o de direita. <strong>Fazer uma apresenta\u00e7\u00e3o mais teatral da pol\u00edtica, aproveitando muitos preconceitos.<\/strong> Apresentava-o como um outsider permanente, apesar de estar h\u00e1 15 anos na pol\u00edtica. Era um pol\u00edtico antipol\u00edtica\u201d, adverte o jornalista Andr\u00e9s Fidanza, autor de <em>Dur\u00e1n Barba. El mago de la felicidad.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Outra das estrat\u00e9gias de comunica\u00e7\u00e3o e posicionamento foram as tocadas de campainha: os candidatos iam a casas selecionadas e faziam uma visita. Apresentava-se assim uma simbologia de proximidade do candidato com as pessoas. Dur\u00e1n Barba as detalhou em dois de seus livros (o mais conhecido intitula-se <em>El arte de ganar<\/em>) e argumentava que era uma forma de mostrar um cen\u00e1rio de normalidade. Aconteceu o mesmo com as imagens, por exemplo, da governadora bonaerense Mar\u00eda Eugenia Vidal indo fazer compras no supermercado como qualquer pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p>Canelo discute essa suposta normalidade: nada mais anormal do que descobrir que o presidente tocou a sua campainha. Para ela, foi uma exibi\u00e7\u00e3o da desigualdade e dessa meritocracia assim\u00e9trica que o Cambiemos prop\u00f4s. O presidente, al\u00e9m de multimilion\u00e1rio, sentava-se em uma casa prec\u00e1ria para comer bolinho de chuva. E depois voltava para o helic\u00f3ptero. Algumas dessas constru\u00e7\u00f5es se tornaram muito evidentes, como quando tentaram simular uma viagem de transporte p\u00fablico \u2013 de \u00f4nibus \u2013 e divulgaram imagens mostrando que era uma cena montada.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full imagen-izquierda wp-duotone-rgb11112208-rgb11112208-1\"><img decoding=\"async\" width=\"827\" height=\"638\" src=\"https:\/\/jaqueala.com\/lasderechas\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/COLLAGE2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-90\" srcset=\"https:\/\/jaqueala.com\/lasderechas\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/COLLAGE2.png 827w, https:\/\/jaqueala.com\/lasderechas\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/COLLAGE2-300x231.png 300w, https:\/\/jaqueala.com\/lasderechas\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/COLLAGE2-768x592.png 768w\" sizes=\"(max-width: 827px) 100vw, 827px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<p>Dur\u00e1n Barba adverte que em todas as campanhas houve um trabalho com pesquisas para ver para onde apontavam os interesses da popula\u00e7\u00e3o. \u201cO PRO foi um grupo moderno em sua comunica\u00e7\u00e3o. Na campanha, deve haver pesquisa qualitativa e quantitativa. No PRO foram feitas mais pesquisas sobre a popula\u00e7\u00e3o do que em todas as universidades argentinas juntas. A partir desse conhecimento, foram elaboradas estrat\u00e9gias, que s\u00e3o planos frios: como funcionam os eleitores, como chegar com os programas de partido... e usam essas ferramentas. O PRO \u00e9 o partido mais moderno da Am\u00e9rica Latina, acostumado a trabalhar de forma moderna\u201d, comemora o consultor, quem se lembra de como ele transformou as fraquezas orat\u00f3rias de Macri em uma fortaleza: \u201cMacri me disse que n\u00e3o gostava de fazer discurso e eu lhe disse: \u2018Bom, fa\u00e7amos uma campanha na qual voc\u00ea n\u00e3o far\u00e1 discurso\u2019. Queremos que o l\u00edder seja muito horizontal. Ele sempre foi chefe de uma equipe. N\u00e3o um caudilho solto.&nbsp; <strong>N\u00e3o se comportavam como o condutor e os seguidores. Mas como uma equipe<\/strong>. Isso \u00e9 o usual nas grandes empresas do Vale do Sil\u00edcio, como Google\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a comunica\u00e7\u00e3o, o PRO n\u00e3o apenas recorreu a sua rela\u00e7\u00e3o com as m\u00eddias tradicionais, como tamb\u00e9m incursionou nas redes sociais. Foi dos primeiros partidos na Argentina a fazer isso. \u201cO peronismo ainda tem dificuldade de entender essa forma de comunica\u00e7\u00e3o. Quando aparecem novas formas, costumam us\u00e1-las com as formas antigas. Por exemplo, quando apareceu a televis\u00e3o. Eisenhower fazia a mesma coisa que nos r\u00e1dios. A internet serve e as redes servem, mas n\u00e3o para us\u00e1-las como se mand\u00e1ssemos um e-mail. As redes servem para que as pessoas se comuniquem entre si e fa\u00e7am a campanha para voc\u00ea. Na Am\u00e9rica Latina n\u00e3o h\u00e1 outro partido que entenda isso: nem na Col\u00f4mbia, nem no M\u00e9xico, nem em outros pa\u00edses. <strong>Eles pensam que a internet \u00e9 para mentir<\/strong>\u201d, adverte Dur\u00e1n Barba. \u201cPara o resto do sistema pol\u00edtico naquela \u00e9poca parecia uma aberra\u00e7\u00e3o. \u00c9ramos os bichos estranhos que vinham de fora e termin\u00e1vamos n\u00e3o sendo nenhum animal conhecido\u201d, relembra Avelluto sobre o uso das redes, que foi combinado com o microtargeting: fazer com que a mensagem estivesse o mais adaptada poss\u00edvel ao receptor.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir desse trabalho nas redes,<strong> o discurso do PRO come\u00e7ou a focar nas emo\u00e7\u00f5es: eram vendedores de felicidade futura.&nbsp;<\/strong> \u201cIsso tem a ver com as an\u00e1lises de conduta nos Estados Unidos. Todos sabemos que no c\u00e9rebro, fisicamente, h\u00e1 uma regi\u00e3o onde est\u00e3o os neur\u00f4nios que nos levam a agir. Est\u00e3o junto com os neur\u00f4nios que lidam com os sentimentos. Os racionais est\u00e3o em outro lugar. Se voc\u00ea sente que o assassinato de George Floyd \u00e9 injusto, voc\u00ea se mobiliza. N\u00e3o se voc\u00ea compreende. Se voc\u00ea sente\u201d, aponta Dur\u00e1n Barba, cuja estrat\u00e9gia de campanha foi aplicada por quase 14 anos at\u00e9 que Macri foi derrotado nas prim\u00e1rias de 2019: ali o presidente se voltou para uma campanha tradicional, mais ideologizada.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a chave do sucesso esteve na outra campanha, muito focada nas emo\u00e7\u00f5es e nas redes sociais. A soci\u00f3loga Canelo tamb\u00e9m adverte essa caracter\u00edstica do discurso da direita argentina: \u201cA Frente de Todos trabalha com ideias, conceitos que s\u00e3o constru\u00eddos com argumentos racionais. <strong>A direita tradicionalmente sempre soube falar melhor com as cren\u00e7as da sociedade.<\/strong> Que n\u00e3o s\u00e3o ideias, mas slogans que n\u00e3o constituem conceitos. <strong>Uma ideia seria:<em> o peronismo \u00e9 um projeto baseado na justi\u00e7a social. <\/em>A direita te diz:<em> Conosco, voc\u00ea vai estar melhor. Sim, \u00e9 poss\u00edvel. A revolu\u00e7\u00e3o da alegria.<\/em><\/strong> Sempre se comunica ligando-se \u00e0s emo\u00e7\u00f5es\u201d. A soci\u00f3loga aponta que foram os primeiros a construir \u201ca din\u00e2mica de administrar as redes sociais, de criar ex\u00e9rcitos de trolls para assustar opositores foi novidade na Argentina\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O especialista em redes Luciano Galup, autor do livro <em>Big data y pol\u00edtica<\/em>, indica que dentro da direita argentina h\u00e1 um setor autodenominado <em>libert\u00e1rios<\/em>, que usa as redes \u201ccom discursos de \u00f3dio (mis\u00f3ginos, antidiversidades) e com uma forte desconfian\u00e7a na pol\u00edtica\u201d. \u201cO que vemos nos \u00faltimos anos \u00e9 que esses setores est\u00e3o crescendo: h\u00e1 adolescentes que fazem parte desses espa\u00e7os\u201d, aponta Galup. A linha de conten\u00e7\u00e3o desses setores dentro do Juntos pela Mudan\u00e7a \u00e9 a ex-ministra da Seguran\u00e7a Patricia Bullrich, que mant\u00e9m um discurso de m\u00e3o dura e de polariza\u00e7\u00e3o com o governo. E de instigar o discurso do \u00f3dio. \u201cUtilizam o \u00f3dio: colocam um problema social em um grupo social vulner\u00e1vel. Esse tipo de discurso de \u00f3dio est\u00e1 contido dentro da coaliz\u00e3o Juntos pela Mudan\u00e7a. N\u00e3o \u00e9 o \u00fanico discurso que cont\u00e9m. H\u00e1 um setor dos 41% que votaram neles que pensa assim, embora n\u00e3o sejam todos\u201d, aponta Natanson. O \u00faltimo Macri tamb\u00e9m se aproxima, de forma perigosa, dessa concep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00bfQu\u00e9 es lo que caracteriza a la derecha argentina? Por d\u00e9cadas del siglo XX, fueron los discursos marciales, los peinados con gomina, las botas y los planes de ortodoxia econ\u00f3mica. 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